Uma palavra passou a responder perguntas demais.
Chamamos um sistema de inteligente quando ele aprende padrões, produz linguagem, resolve problemas ou age com autonomia. Cada capacidade pode ser real e relevante.
O salto acontece quando tratamos essa capacidade como prova de compreensão, autoridade ou bom julgamento. O ensaio acompanha oito distinções que ajudam a perceber esse salto.
Capacidade ≠ finalidadePoder fazer não estabelece o que merece ser feito.
Representação ≠ experiênciaDescrever algo não encerra a pergunta sobre vivê-lo.
Representar valor ≠ possuir valorFalar corretamente de cuidado não resolve a questão moral do próprio sistema.
Regra ≠ justificaçãoSeguir uma instrução não explica por que ela existe.
Autonomia ≠ legitimidadeAgir sem intervenção não concede autoridade para decidir.
Presença ≠ controleManter alguém no processo não garante que essa pessoa consiga intervir.
Capacidade ≠ governançaDesenvolvimento, implantação e compreensão não avançam juntos.
Possibilidade ≠ obrigaçãoSaber fazer também exige a capacidade de não fazer.
